Além de contribuir para a mitigar mudança climáticas, os espaços verdes trazem benefícios para a saúde e bem-estar dos estudantes
Por Frances Baras
Em um mundo cada vez mais cinza e com mais concreto, é um luxo poder contar com espaços verdes e ao ar livre – em casa ou nas escolas. Mas também é cada vez mais necessário que isso aconteça, alerta a professora Wanda Camargo, assessora institucional na Faculdades Integradas do Brasil. Quando se trata do ambiente de aprendizado, reforça, muito além de falar e ajudar a mitigar os efeitos das mudanças climáticas, esses elementos trazem bem-estar e favorecem o aprendizado e o desenvolvimento dos estudantes.
“Ter espaços privilegiados de contato com o ambiente natural, principalmente nas escolas instaladas em grandes centros urbanos, permite benefícios tais como a diminuição das ilhas de calor, poluição atmosférica e sonora, diminuindo a amplitude térmica”, enumera. Wanda lembra, ainda, que as escolas baseadas na natureza vão além do espaço físico e devem incorporar metodologias que ajudem os alunos a entender a importância de cuidar do espaço em que vivemos.
A grande influência do espaço físico
Para a professora, uma boa escola deve oferecer estrutura física adequada e lugares atraentes para que se forme o ambiente ideal para que o estudante se sinta livre para discutir questões levantadas pelos professores e se torne cidadão. “Isso é proporcionado por espaços físicos de paz e tranquilidade. Um pouco de verde ao redor certamente valorizará as iniciativas de propostas pedagógicas”, acredita.
A existência de arborização que ajuda tanto no conforto visual também absorve a radiação solar – 90% da radiação visível e 60% da infravermelha, de acordo com manuais de arquitetura, cita Wanda.
“Pesquisas como a da professora Maria Teresa Powey indicam que a arborização também incrementa a biodiversidade, filtra a luz e, psicologicamente, traz ao homem uma ligação com o campo”, diz. “A troca da cobertura vegetal pela pavimentação e pelas construções tem trazido problemas, como desconforto, estresse e danos tanto para a saúde física quanto mental dos seres humanos”, completa.
Com mente e corpo em formação, crianças e jovens são ainda mais suscetíveis a esse tipo de prejuízo. O que torna, reforça a professora, ainda mais urgente a necessidade de se voltar os espaços de educação à natureza.
Natureza nos conteúdos
Ao tornar os espaços mais amigáveis no que diz respeito ao meio ambiente, já se dá um grande passo em direção à recuperação da sensibilização dos seres humanos que estão em formação em relação à preservação. “Mas é preciso, também, promover o contato dos estudantes com a natureza em suas rotinas educativas”, defende Wanda. É indispensável, segundo ela, que as questões relativas à natureza, sustentabilidade, preservação e envolvimento humano sejam abordadas para que as crianças e adolescentes entendam as ações que podem impactar o futuro comum da raça humana.
O ensino de qualidade, acrescenta a professora, envolve questões de natureza social, que ajudem a refletir também sobre as questões comunitárias, como exclusão, discriminação, violência de gênero, destruição da natureza, extinção de animais e outros fatores que possuem um grande impacto.
Espaços em transformação
Como já explicado anteriormente, a presença de vegetação, mesmo que em pouca quantidade, já introduz uma melhoria sensível em qualquer ambiente. Wanda recomenda, ainda, evitar o excesso de impermeabilização do solo. É ideal também, diz, o envolvimento direto e indireto da comunidade escolar e do entorno da escola em medidas como plantio, criação de hortas comunitárias, manutenção e ampliação da área verde já existente.
Uma escola em sintonia com a vida
Por fim, investir em uma educação que aproxima crianças e jovens da natureza não é apenas embelezar o espaço físico: é formar cidadãos conscientes, críticos e engajados com o mundo à sua volta. Cada árvore plantada, cada horta cuidada, cada atividade ao ar livre ou debate sobre preservação ambiental contribui para que os estudantes compreendam que são parte de um ecossistema maior, com responsabilidades que vão muito além da sala de aula.
Quando professores, alunos, famílias e comunidade caminham juntos nesse processo, a escola deixa de ser apenas um espaço de aprendizado formal e se transforma em um ambiente vivo, que inspira cuidado, respeito e curiosidade. Afinal, preparar as novas gerações para os desafios do futuro também passa por cultivar o presente, com consciência, empatia e contato direto com a natureza que nos sustenta.
Por: Sinepe/PR