Com tantas ferramentas disponíveis, é preciso preparo para usá-las de forma ética e eficaz no preparo das atividades em sala de aula
Por Frances Baras
A inteligência artificial (IA) já é parte da vida das pessoas. As milhares de ferramentas disponíveis no mercado podem auxiliar na execução de uma série de tarefas – de uma simples lista de compras de supermercado até o resumo de um documento importante ou na montagem de planilhas complexas. Na educação, não é diferente. Planejamentos de aulas, sugestões de atividades e muitas outras atividades podem ser facilitadas com o uso desse tipo de assistente.
O que é preciso ter atenção, aponta o professor Everton Drohomeretski, é para quando e como utilizar essas ferramentas. “A IA está em um processo de crescimento exponencial e o Brasil está entre os países que lideram esse movimento. Uma pesquisa recente, realizada pelo Datafolha, apontou que cerca de 93% dos respondentes usam a IA de alguma forma”, ressalta. “Isso tem afetado diretamente a educação – seja em função do uso pelos docentes, seja em função do uso pelos estudantes”, completa.
Drohomeretski, que é diretor administrativo do Sinepe/PR e Pró-Reitor de Ensino, Pesquisa e Extensão na FAE, diz que a velocidade com que as soluções de IA são desenvolvidas é maior do que o tempo necessário para entender o seu funcionamento. “Por isso a urgência de treinar e qualificar os usuários para a aplicação da IA no dia a dia das atividades escolares para melhorar a aplicação e para definir critérios de utilização sob o ponto de vista ético”, justifica.
Aplicações possíveis e atualização constante
Entre as principais vantagens apontadas pelo especialista está o uso da IA para a elaboração de planos de aula que sejam mais alinhados com as expectativas da geração atual de alunos. “Assim, com os insights trazidos pelas ferramentas é possível planejar atividades de aprendizagem que geram mais engajamento e processos de avaliação que sejam mais efetivos”, exemplifica. “Com a IA, o professor ganhou um grande ‘estagiário’”, completa.
Outro ponto levantado por Drohomeretski é a necessidade de atualização. “O professor não pode ser um mero repetidor de conteúdo de livros e apostilas, mas deve sempre ser um ser pensante e criativo que vai usar a IA para gerar aulas ainda mais interessantes e interativas com foco na aprendizagem”, sugere. “Do contrário, como em outras carreiras, poderá ser um grande risco.”
Ética na utilização da IA
O fato é que as ferramentas de IA têm se tornado cada vez mais presentes no ambiente educacional. Além de agilizar o trabalho, elas podem auxiliar na produção de materiais e ainda contribuir para que os estudantes realizem tarefas com mais qualidade. Além disso, favorecem o desenvolvimento das chamadas Digital Skills — habilidades digitais essenciais para o cidadão da atualidade, lembra o professor.
Mas, junto às oportunidades, vem também a necessidade de uma reflexão ética sobre o uso dessas tecnologias. A IA não deve ser utilizada para realizar as atividades no lugar do aluno ou do professor, e sim para aprimorar o processo de aprendizado, tornando-o mais eficiente e criativo. “As escolas precisam instruir seus professores e alunos sobre como usar essas ferramentas de forma ética e responsável. O objetivo não é buscar o caminho mais rápido, e sim aquele que leva mais longe”, reforça a especialista.
Nesse sentido, a ética no uso da IA passa por um processo de conscientização contínua. Cabe às instituições de ensino não apenas adotar novas ferramentas, mas também formar educadores e estudantes para utilizá-las com senso crítico, propósito e criatividade. Mais do que substituir o esforço humano, a IA deve ser vista como uma parceira no aprendizado — capaz de ampliar horizontes e estimular o desenvolvimento de competências digitais.
Por onde começar
Atualmente, diversas ferramentas já ajudam professores a planejar e organizar suas aulas com o apoio da IA. Entre elas estão o Miro, integrado à IA do Gemini (Google), o Lucidchart, que permite criar mapas mentais em conjunto com o ChatGPT, e o Gamma, ideal para a elaboração de apresentações criativas, lista Drohomeretski. Plataformas da Google e da Microsoft também oferecem recursos inteligentes para otimizar o trabalho pedagógico.
O importante, destacam especialistas, é que o uso da tecnologia venha sempre acompanhado de intencionalidade e ética. Afinal, a IA é um meio — e não um fim. O aprendizado mais valioso continua sendo aquele construído com reflexão, propósito e interação humana.
Por: Sinepe/PR