Encontro online propõe reflexão sobre cultura inclusiva, currículo e práticas efetivas na Educação Infantil
O Brasil registra avanços significativos na inclusão de estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades na educação básica, com mais de 92% desses alunos matriculados em classes comuns na rede regular de ensino em 2024, segundo dados do Censo Escolar organizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O recorte por estado revela, no entanto, diferenças importantes. De acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, produzido pelo Todos Pela Educação, o Paraná saiu de 49,8% de estudantes público-alvo da Educação Especial matriculados em classes comuns em 2014 para 68,1% em 2024 — um avanço de 18,3 pontos percentuais na última década. Apesar da evolução, o índice estadual permanece abaixo da média nacional, indicando que o desafio da consolidação da inclusão ainda é significativo no estado.
Além disso, o levantamento aponta que apenas 41% desses alunos, no país, têm acesso ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) previsto por lei — um componente essencial para promover aprendizagem efetiva e participação plena na escola.
Esse cenário evidencia um dos principais gargalos da educação inclusiva no Brasil: a formação específica de educadores e gestores para implementar práticas pedagógicas que transformem direitos legais em experiências concretas no cotidiano escolar.
Nesse contexto, o Narrativas da Infância, iniciativa da Escola Parlenda, única no país com Certificação Internacional pelo método Learning By Languages, promove o evento “Práticas para uma Educação Inclusiva”, voltado à formação de professores, educadores e gestores que atuam com a educação.
“O compromisso com a inclusão exige não apenas conhecimento da legislação, mas também sensibilidade para reconhecer e valorizar a diferença como parte constitutiva da experiência humana, e não como deficiência ou desvio. Isso transforma a escola em um espaço de pertencimento e participação para todas as crianças”, afirma Ana Paula Pamplona, pedagoga e especialista em psicopedagogia pela PUCPR.
Ao longo de dois encontros on-line, os participantes serão convidados a refletir sobre marcos legais, cultura inclusiva e práticas didáticas que favorecem acessibilidade, escuta ativa das crianças e relações democráticas com famílias e profissionais da saúde.
O evento dialoga diretamente com os desafios apontados pelos dados nacionais e estaduais, reforçando a importância da formação continuada como estratégia para qualificar a inclusão desde a primeira infância.
No primeiro dia, o foco recai sobre os pressupostos da Educação Inclusiva, compreendendo a diferença como constitutiva da experiência humana e não como falta ou déficit. A partir dessa perspectiva, serão abordados os princípios éticos e políticos que orientam a inclusão nas escolas, dialogando com a história e a legislação educacional brasileira. O encontro também apresenta como conceitos como currículo emergente, pedagogia de projetos, escuta e alteridade se materializam na prática, considerando a diversidade de modos de ser, aprender e estar no mundo, além das especificidades da inclusão de crianças com deficiência e altas habilidades na Educação Infantil.
No segundo encontro, a discussão avança para os fundamentos da Educação Inclusiva no cotidiano da Educação Infantil, aprofundando como se dão os processos de adaptação e acessibilidade curricular em um modelo centrado na criança. Serão apresentados os encaminhamentos adotados pela escola nas diferentes dimensões da jornada educativa — das situações de cuidado, como alimentação, sono e higiene, às estratégias de avaliação e documentação pedagógica. A formação também aborda o Atendimento Educacional Especializado (AEE), o Plano Educacional Especializado (PEI), a formação continuada dos profissionais, a relação com as famílias, o diálogo multidisciplinar com profissionais da saúde e a inclusão de adultos com deficiência que atuam na instituição, evidenciando uma cultura inclusiva construída de forma democrática e atenta às singularidades de cada criança.
Serviço
Práticas para uma Educação Inclusiva — Narrativas da Infância
Datas: 17 e 19 de março de 2026
Horário: 19h às 21h (total 4h)
Modalidade: Online
Público-alvo: Professores, educadores e gestores escolares
Inscrições: https://www.narrativasdainfancia.com.br/event-details/praticas-para-uma-educacao-inclusiva
Fonte: https://anuario.todospelaeducacao.org.br/2025/capitulo-11-educacao-inclusiva.html
Por: Escola Parlenda