O Porvir selecionou títulos da nova plataforma MEC Livros, lançada pelo MEC, e disponíveis gratuitamente para empréstimo. Confira a curadoria para diferentes etapas de ensino
por Ruam Oliveira / Ana Luísa D’Maschio
Visitar bibliotecas é uma experiência de descoberta para quem ainda não sabe o que ler. No cotidiano escolar, cabe ao professor mediar esse acesso e despertar o interesse pelos livros.Na sala de aula, essas descobertas podem ser facilitadas pelos professores.
Isso é especialmente importante diante do déficit estrutural: 36,8% das escolas brasileiras, o equivalente a 114 mil unidades, não possuem bibliotecas, segundo o Censo Escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
Com o avanço da internet, porém, esse cenário ganha novas alternativas. Entre as plataformas surgidas recentemente está a MEC Livros, do governo federal, que funciona como uma biblioteca virtual na qual é possível fazer empréstimos de livros por até 14 dias (renováveis por mais 14).
O acervo conta com mais de 8 mil títulos, entre clássicos e contemporâneos, para todas as idades. De romances a poesia, os livros disponíveis podem dialogar com atividades em todas as etapas de ensino, desde a educação infantil ao ensino médio.
A MEC Livros está disponível em versão aplicativo para o sistema Android e pode ser acessado também por meio do navegador web.
O Porvir acessou a plataforma e selecionou 14 que podem ser usados para iniciar conversas sobre questões étnico-raciais, diversidade, emoções e diferenças. Confira nossa lista:
Antirracismo
Heroínas negras brasileiras
Jarid Arraes (Editora Seguinte, 176 páginas)
Esta coletânea apresenta a história de 15 mulheres negras que marcaram a história e o desenvolvimento do Brasil e que, ao longo do tempo, tiveram suas trajetórias apagadas. Em formato de cordel, a obra narra a vida de Dandara, Carolina Maria de Jesus, Luisa Mahin, Tia Ciata e muitas outras.
Etapa de ensino: ensino fundamental (anos iniciais e finais).
Na prática: além de ampliar o repertório sobre figuras históricas, educadores podem sugerir a produção de biografias e explorar a métrica do cordel em atividades interdisciplinares.
Contos indígenas brasileiros
Daniel Munduruku (Global Editora, 64 páginas)
Nesta obra, o escritor Daniel Munduruku promove uma imersão na diversidade cultural e linguística dos povos originários. Por meio de oito contos que apresentam mitos fundamentais de etnias como Guarani, Karajá e Tukano, o autor aborda temas como o roubo do fogo, a origem do fumo e o dilúvio dentro da cosmovisão indígena.
Etapa de ensino: ensino fundamental (anos iniciais).
Na prática: professores podem propor atividades que envolvam a tradição oral, instigando a curiosidade sobre diferentes cosmologias e o respeito às raízes brasileiras.
Flor de mureru
Márcia Wayna Kambeba (Ciranda na Escola, 32 páginas)
É nas cheias dos rios amazônicos que nasce a flor de mureru, embelezando igarapés e lagos. Nesse cenário poético e delicado, a obra de Márcia Wayna Kambeba mostra a Amazônia pelos olhos de quem vive, em um convite ao respeito às riquezas e biodiversidades da região. Com ilustrações de Cris Eich.
Etapa de ensino: ensino fundamental (anos iniciais).
Na prática: ponto de partida ideal para trabalhar a educação ambiental e a relação de pertencimento com diferentes territórios.
O Escravo
Carolina Maria de Jesus (Companhia das Letras, 208 páginas)
Neste romance inédito da autora mundialmente conhecida, Carolina Maria de Jesus, uma história de amor e desilusão é atravessada por questões sociais e de raça. O enredo destaca desigualdades, a segregação e o racismo, temas comuns na produção literária da autora.
Etapa de ensino: ensino médio.
Na prática: O livro permite debates sobre mobilidade social e conflitos de classe no Brasil contemporâneo, além de servir como estudo sobre a subversão da linguagem colonial.
A senzala
Antônio Frederico de Castro Alves (Domínio Público, 2 páginas)
Este poema de Castro Alves traz uma descrição lírica e sensível de um ambiente doméstico relacionado à vida de uma mulher escravizada, oferecendo um retrato de uma casa na região rural do Brasil daquela época.
Etapa de ensino: ensino médio.
Na prática: Os debates podem partir da análise das estruturas de texto até observações sobre o cotidiano da época, podendo se expandir para conversas mais amplas e que dialoguem com outras obras de mesmo tema.
Diversidade
Originárias: Uma antologia feminina de literatura indígena,
Trudruá Dorrico e Mauricio Negro (Companhia das Letrinhas, 144 páginas)
Esta é uma antologia ilustrada que reúne contos de 12 autoras contemporâneas de diferentes nações indígenas do Brasil, explorando temas como relações familiares e histórias de amor mescladas com aspectos das culturas indígenas. Além disso, a obra apresenta um glossário e outros textos informativos sobre os povos de origem das escritoras.
Etapa de ensino: ensino fundamental (anos finais).
Na prática: Professores podem analisar as diferentes perspectivas culturais nas histórias e refletir sobre a diversidade dos povos indígenas no Brasil.
Aldeias, palavras e mundos indígenas
Valéria Macedo (Companhia das Letrinhas, 24 páginas)
O livro é um convite para que os pequenos leitores conheçam os costumes de quatro povos indígenas do Brasil: Yanomami, Krahô, Kuikuro e Guarani Mbya. O texto explora, de maneira lúdica, palavras que representam o mesmo conceito em diferentes línguas, como, por exemplo, a maneira de dizer “casa”.
Etapa de ensino: educação infantil.
Na prática: Ótima oportunidade para trabalhar a descoberta das palavras e a diversidade de culturas e povos existentes no mundo.
Chupim
Itamar Vieira Junior (Editora Todavia, 32 páginas)
O aclamado autor da Trilogia da Terra inicia seu percurso na literatura infantil com essa obra que se passa no mesmo universo de “Torto Arado” e conta a história de crianças que, enquanto seus pais estão trabalhando no plantio de arroz estão espantando os chupins.
Etapa de ensino: educação infantil a ensino fundamental (anos iniciais).
Na prática: por trás da história, há elementos de debate sobre desigualdades sociais e relações de trabalho. Professores podem desenvolver atividades que observam ambas as questões individualmente ou em conjunto.
ABPcD
Ana Clara Moniz e Lígia Azevedo (Companhia das Letrinhas, 64 páginas)
Este “Abecedário dos Sonhos” apresenta biografias ilustradas de 26 personalidades com deficiência. De cientistas a atletas, o livro celebra a contribuição desses indivíduos para a sociedade.
Etapa de ensino: ensino fundamental (anos finais).
Na prática: conhecer as histórias de figuras como Greta Thunberg, Frida Kahlo e tantas outras revela a diversidade de personalidades e potência de suas histórias, permitindo que os estudantes pensem a própria biografia e reflitam sobre superação, desafios e o que é ser inspirador.
Educação socioemocional
Amoras
Emicida (Companhia das Letrinhas, 44 páginas)
Em sua estreia na literatura infantil, o rapper Emicida apresenta uma história de simplicidade, poesia, autoconhecimento e valorização. Com ilustrações de Aldo Fabrini, o livro é um convite para reconhecer e amar a própria identidade, com respeito e admiração.
Etapa de ensino: educação infantil e ensino fundamental (anos iniciais).
Na prática: Em sala de aula, é possível propor a criação de autorretratos e conversas sobre beleza e pertencimento.
O Menino Que Quase Virou Cachorro
Ruth Rocha (Global Editora, 32 páginas)
história de Miguel, um garoto que não recebe atenção de seus pais e que tem muita dificuldade em ser ouvido. É um movimento para apontar questões como as percepções das crianças, suas relações familiares e laços afetivos.
Etapa de ensino: ensino fundamental (anos iniciais).
Na prática: por meio do conteúdo proposto no livro, educadores podem criar atividades de incentivo à escuta ativa e também estimular nas crianças a expressão e o compartilhamento das emoções.
Capitães da Areia
Jorge Amado (Companhia das Letras, 296 páginas)
Esta é uma das obras mais influentes do escritor baiano Jorge Amado. Ela narra a vida de meninos pobres e abandonados que vivem em um trapiche no cais de Salvador, mas traz como subtexto a realidade dura e desafiadora desses garotos.
Etapa de ensino: ensino médio.
Na prática:
A obra é leitura obrigatória em alguns vestibulares do país, mas para além disso, ela traz a oportunidade de criar análises profundas sobre exclusão e desigualdades sociais.
Mudar: método
Édouard Louis (Editora Todavia, 240 páginas)
Neste romance, o autor narra o processo de amadurecimento de Eddy Bellegueule, nascido na classe operária em uma pequena cidade no norte da França, até se transformar, ativamente, em Édouard Louis, escritor de sucesso internacional. A obra aborda temas como homofobia, desigualdade de classe e as relações familiares .
Etapa de ensino: ensino médio.
Na prática: é possível desenvolver projetos de curto, médio e longo prazo a partir da leitura deste livro, trazendo atividades que mesclam amadurecimento, construção de identidade e reflexões a respeito de pressões sociais, violências e aceitação.
Abigail não sabia
Fábio Monteiro (Panda Books, 32 páginas)
O livro conta a história de Abigail, uma garota grande, que foge dos padrões. É ponto de partida para conversas mais profundas sobre respeito às diferenças e dificuldades que cada pessoa encontra ao decorrer da vida.
Etapa de ensino: ensino fundamental (anos iniciais e anos finais).
Na prática: a leitura favorece a elaboração de projetos que estimulam os estudantes a pensar sobre suas próprias singularidades. A partir desta obra, ações para promover a inclusão e o respeito nas relações diárias ganham fôlego, tornando-se um ponto de partida para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como a empatia e a compreensão.
Por: Porvir