Plataforma apresenta indicadores sobre a carreira docente e revela desafios escolares que vão muito além do debate sobre acesso
por Ruam Oliveira
Ensinar na educação infantil demanda fôlego para uma rotina de atualizações técnicas e desafios específicos da primeira infância. Mas quais são as áreas que os educadores mais sentem necessidade de formação contínua?
Dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), coletados no Saeb – Educação Infantil (2021), mostram que seis em cada dez docentes de creches e pré-escolas sentem “muita necessidade” de programas de desenvolvimento em metodologias de ensino para o público-alvo da educação especial.
Esses números fazem parte do novo indicador lançado nesta quarta-feira, 29, pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), em parceria com a Fundação Bracell, Fundação Itaú, Fundação VélezReyes+, Fundação Van Leer e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
O QEdu Educação Infantil, nova seção do QEdu, site referência em indicadores educacionais, é uma iniciativa que busca promover o debate sobre a creche e a pré-escola tanto do ponto de vista de acesso, quanto de qualidade, infraestrutura, avaliação, entre outros.
A nova plataforma também se dedica a observar a qualidade da educação infantil ofertada no país e a necessidade da criação de instrumentos de avaliação para essa etapa.
Tecnologia, ludicidadade e planejamento
Embora a inclusão lidere o ranking de necessidades, o uso de tecnologia preocupa 59% dos professores que responderam à pesquisa. O desejo por inovação a partir de ferramentas digitais divide espaço com o brincar, algo primordial para esta etapa: 55% querem dominar o uso de elementos lúdicos nas práticas pedagógicas e 49% buscam melhorar o planejamento de atividades para crianças de 0 a 5 anos. Outros 46% manifestam a necessidade de aperfeiçoar as metodologias de avaliação.
O desafio das condições de trabalho na educação infantil
A formação sólida e específica para esta etapa contrasta com a instabilidade do vínculo profissional. Enquanto 94% dos educadores são formados em pedagogia, apenas 58% são concursados.
“Mesmo com avanços, os dados nos mostram que ainda precisamos garantir melhores condições de trabalho, como apoio em sala e proporção adequada de crianças por professor”, destaca Eduardo de Campos Queiroz, diretor-presidente da Fundação Bracell.
Segundo dados do Novo PAR (Plano de Ações Articuladas, iniciativa na qual o município diz do que precisa e o Ministério da Educação define como vai ajudar, seja com dinheiro ou com apoio técnico), a partir do Censo Escolar de 2025, cerca de 54% das creches municipais brasileiras possuem um número adequado de crianças por docente. Esse número sobe para 62% na pré-escola.
Para referência, o número de crianças considerado adequado por idade é:
até 8 alunos por professor em turmas de até 2 anos;
15 alunos aos 3 anos;
12 em turmas multisseriadas (0 a 6 anos);
e 20 alunos entre 4 e 5 anos.
O Brasil em relação à média global
Além deste indicador, o Iede também incluiu a educação infantil no QEdu Países, que reúne dados da América Latina e de países que integram a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre as diferentes etapas de ensino.
No Brasil, o número de crianças atendidas por profissionais da Educação Infantil, considerando professores e assistentes, é de 9,1 na creche e 12 na pré-escola. Já em países da OCDE, as médias são de 4,9 e 9,6, respectivamente.
Para saber mais, acesse https://educacaoinfantil.qedu.org.br/
Por: Porvir