Pesquisa entrevistou professores que produzem conteúdo e descobriu que vídeos curtos aproximam docentes e estudantes
O TikTok deixou de ser apenas uma plataforma de entretenimento e passou a funcionar como porta de entrada para o aprendizado de milhões de jovens. É o que aponta a pesquisa “Teachtok e as novas jornadas de aprendizagem”, do Reglab, divulgada nesta terça-feira, 3.
O Reglab é um centro de pesquisas independente que, a pedido do TikTok Brasil, estudou como professores têm usado a plataforma de vídeos curtos para se conectar com seus estudantes e com outros docentes.
Esse nicho da rede focado em conteúdos de aprendizagem é conhecido como “Teachtok”. Segundo dados da pesquisa, mais da metade dos adolescentes entre 13 e 17 anos está na plataforma. Desses, 72% utiliza o aplicativo para pesquisas escolares. O estudo ainda levantou que a #Edutok tem quase 200 bilhões de visualizações.
Pedro Henrique Ramos, CEO do Reglab, explica que o objetivo da pesquisa foi investigar como os professores usam o TikTok como uma “extensão da sala de aula.”
“Nosso foco não foi em influenciadores de educação, então pessoas que trabalham unicamente nas redes sociais, mas em profissionais que estão dando aula e que também utilizam o TikTok como uma extensão do trabalho ou até uma segunda fonte de renda”, afirma Pedro.
Para isso, os pesquisadores utilizaram duas metodologias. Em um primeiro momento, levantaram todas as informações possíveis sobre o tema e, em seguida, entrevistaram esses professores em profundidade.
Foram entrevistados sete profissionais das redes pública e privada que lecionam no ensino fundamental, médio e em cursinhos pré-vestibulares e que já produzem conteúdo a alguns anos, mas não são muito famosos.
Apesar da amostragem de entrevistados ter perfis diferentes, o resultado foi muito semelhante. Todos acreditam que os vídeos são uma extensão do trabalho, que não substitui a sala de aula mas promove a aproximação com os jovens por meio da linguagem digital.
Scroll Learning: o aprendizado incidental
A pesquisa também identificou o fenômeno do Scroll Learning. Isabela Afonso Portas, uma das autoras do estudo, esclarece que esse termo foi cunhado para descrever o aprendizado que acontece de forma despretensiosa durante a rolagem do feed.
Diferente de redes sociais como o Youtube, em que o usuário encontra determinado conteúdo por meio da busca, isto é, já há uma intenção inicial de consumi-lo, em plataformas de vídeos curtos como o TikTok, ainda que exista o algoritmo, os conteúdos são descobertos de forma acidental.
“O entretenimento acaba sendo uma porta de entrada para uma descoberta, para ampliar o repertório. A aprendizagem por rolagem não é uma aprendizagem formal, uma aprendizagem que vai gerar uma análise crítica ou completa, mas vai despertar a curiosidade”, reforça Pedro Ramos.
Nova sala de aula, novos desafios
O principal desafio citado pelos professores entrevistados é a dificuldade de transformar a linguagem docente tradicional ao dialeto típico dos jovens no mundo digital.
Existem ainda os empecilhos técnicos. Se nas salas de aulas ou professores trabalham com livros, lousa, giz e apresentações em Power Point, no TikTok é preciso utilizar microfones e câmeras, além de saber gravar e editar.
A professora de História Anelize Vergara utilizava o TikTok apenas como consumidora até que, em 2024, começou a produzir conteúdo para dialogar com outros docentes. Seu engajamento cresceu e, hoje, a principal fonte de renda de Anelize é seu trabalho nas redes sociais com a venda de conteúdos formativos para professores. Ela também leciona em um cursinho pré-vestibular popular.
Para ela, o maior desafio é adaptar a didática. “Conseguir ser didática e aprofundar o conteúdo sem ser rasa, trazendo seriedade e base em fontes, mas sem perder a linguagem da internet”, diz a professora.
Apesar das dificuldades, Anelize reconhece que, com as redes sociais, é possível se aproximar de seus alunos e colegas por meio do que eles consomem. “Consigo trazer assuntos para a sala de aula que estão circulando nas redes sociais, usar ganchos, falar sobre temas que estão em alta, comentar sobre influenciadores ou pessoas que eu sei que os meus alunos acompanham”.
Por: Exame.com