Ensino superior aposta em inovação, empregabilidade e parcerias para formar profissionais preparados para o amanhã.
Por Renyere Trovão
Em um mundo em que as transformações acontecem em ritmo acelerado, a distância entre universidade e mercado de trabalho já não pode existir. A revolução tecnológica, a economia verde, as novas relações de trabalho e a valorização das competências humanas têm exigido das Instituições de Ensino Superior (IES) uma reconfiguração profunda de seus modelos formativos.
O desafio é preparar profissionais capazes de aprender continuamente, inovar e se adaptar às mudanças e, ao mesmo tempo, manter o compromisso acadêmico com o conhecimento científico e o desenvolvimento humano.
Para a professora Adriana Veríssimo Karam Koleski, diretora de Ensino Superior do Sinepe/PR e reitora da UniOpet, o grande desafio das IES é acompanhar a velocidade das transformações do mercado.
“As exigências mudam rapidamente, impulsionadas por tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, e por novas demandas sociais ligadas à sustentabilidade. Além disso, há uma pressão crescente por formar profissionais com competências socioemocionais, digitais e capacidade de adaptação contínua”, afirma.
Segundo ela, alinhar currículos às reais necessidades das empresas sem perder o rigor acadêmico é uma tarefa que exige governança ágil e diálogo constante com o setor produtivo. Nesse cenário, o Sinepe/PR atua como ponte entre as instituições privadas e o mercado, fomentando inovação, regulação responsável e qualidade.
Na UniOpet, explica Adriana, esse movimento acontece de forma contínua. “Enfrentamos esse desafio com escuta ativa das empresas parceiras e revisão curricular permanente, sempre com foco na empregabilidade e na formação integral dos estudantes.”
Tendências que moldam a empregabilidade
Entre as tendências que mais influenciam a empregabilidade, a diretora destaca a digitalização dos processos, a valorização das competências humanas e a transição para uma economia verde. Esses eixos estão redefinindo o que significa estar preparado para o mundo do trabalho.
“A ascensão das microcertificações é um exemplo claro dessa mudança. Elas permitem que o estudante comprove competências específicas de forma rápida e alinhada às demandas do mercado. Na UniOpet, já adotamos trilhas formativas complementares que ampliam a empregabilidade dos nossos alunos”, explica.
Áreas como tecnologia da informação, saúde digital, ESG, logística e marketing de performance estão entre as que mais se transformam. Todas exigem profissionais com domínio técnico, pensamento analítico e visão sistêmica, mas, sobretudo, empatia, colaboração e capacidade de aprender continuamente.
Currículos flexíveis e aprendizado vivo
A adaptação curricular, segundo a diretora, é um dos pilares da transformação. “Trabalhamos com metodologias ativas que colocam o estudante no centro do processo de aprendizagem, estimulando autonomia, resolução de problemas e pensamento crítico.”
Essa abordagem é reforçada por currículos flexíveis e trilhas personalizadas, que incluem temas transversais como inteligência artificial, ESG e competências digitais. A meta é formar profissionais prontos para atuar em contextos complexos, sem perder o compromisso com a formação integral.
A força das experiências práticas
Se há um consenso entre educadores e empresas, é que a prática consolida o aprendizado. Estágios, laboratórios, projetos interdisciplinares e desafios reais são parte essencial da formação moderna.
“As experiências práticas permitem que o aluno aplique o conhecimento teórico em situações concretas, desenvolvendo competências técnicas e comportamentais”, explica a reitora.
O Sinepe/PR incentiva essas ações por meio de seu Prêmio de Inovação Educacional, que reconhece projetos transformadores desenvolvidos nas instituições privadas do estado.
Inovação como ponte para o mundo real
O incentivo à inovação, segundo Adriana Karam, é um dos caminhos mais diretos para aproximar o ensino superior do mercado. “Quando estimulamos nossos estudantes a propor soluções para problemas reais, desenvolvemos competências altamente valorizadas pelas empresas. A inovação não se limita à tecnologia, mas envolve também novos modelos de gestão, sustentabilidade e colaboração.”
Exemplos não faltam. O Transformation Day da Renault, em parceria com instituições de ensino do Paraná, é um case de sucesso. Nele, estudantes são convidados a resolver desafios reais da empresa, apresentando suas propostas para técnicos e diretores.
Outro destaque é o Desafio de Inovação da UniOpet, que conecta alunos a empresas locais e já gerou soluções aplicadas a processos logísticos e campanhas de comunicação.
Parcerias que geram oportunidades
A aproximação entre IES e empresas vai além dos convênios. Ela depende de parcerias estratégicas e relações de confiança mútua. “É preciso ouvir as demandas do setor produtivo, adaptar currículos, promover eventos conjuntos e abrir espaço para que profissionais do mercado participem da formação dos estudantes”, observa.
Essa sinergia também ocorre quando as universidades se tornam centros de inteligência, oferecendo dados, pesquisas e soluções para os desafios empresariais. O resultado é duplo: o mercado ganha conhecimento aplicado, e os estudantes, oportunidades reais de inserção profissional.
Boas práticas que inspiram
O Sinepe/PR tem reconhecido e estimulado cases de sucesso entre suas associadas. Um dos exemplos é o Prêmio Sinepe/PR de Práticas Inovadoras em Educação – Edição 2025, que contempla iniciativas em áreas como sustentabilidade, inclusão, inovação pedagógica, gestão educacional e relação família–escola.
Outra iniciativa importante é a parceria com o CIEE/PR (Centro de Integração Empresa – Escola do Paraná), que amplia o acesso de estudantes a estágios e programas de aprendizagem, fortalecendo o elo entre formação e empregabilidade.
Formação que desperta propósito
Um dos grandes ganhos dessa aproximação é tornar o ensino superior mais atrativo para os jovens. “Quando eles percebem que a universidade está ligada às oportunidades reais de trabalho, o interesse aumenta. Mostramos que a formação acadêmica é o primeiro passo para a realização profissional”, conta.
Projetos como a Central de Carreiras da UniOpet, que conecta alunos a mentorias e vagas em empresas parceiras, têm reforçado esse engajamento. Os estudantes passam a enxergar sentido no aprendizado, ao ver a universidade como parte concreta de sua trajetória.
Olhar para o futuro
Para que o Ensino Superior siga relevante, a diretora do Sinepe defende uma atuação baseada em três grandes frentes: atualização curricular permanente, integração com o mercado e fortalecimento da formação humana.
“Precisamos investir em metodologias ativas, tecnologias educacionais e formação continuada, mas sem perder de vista o desenvolvimento socioemocional e ético dos estudantes”, afirma.
Além disso, a governança acadêmica orientada por dados e indicadores de empregabilidade é vista como essencial para tomar decisões mais assertivas.
No Paraná, essa visão tem um efeito ainda mais profundo: o fortalecimento do desenvolvimento regional. As instituições locais atuam em áreas estratégicas como agronegócio, tecnologia e saúde, promovendo inclusão, inovação e sustentabilidade.
Educação que transforma
A aproximação entre universidade e mercado não é uma tendência passageira, é uma necessidade estrutural. Ao integrar inovação, empregabilidade e formação humana, o Ensino Superior reafirma seu papel como agente de transformação social e motor do desenvolvimento econômico.
“A formação superior continua sendo o melhor investimento para o futuro. Mas, para manter esse valor, precisa estar cada vez mais conectada à realidade, às empresas e, principalmente, aos sonhos dos jovens”, conclui Adriana Karam.
Por: Sinepe/PR