Conheça propostas de Geografia, Matemática, Ciências e competências socioemocionais inspiradas nas curiosidades desta edição do Mundial
Por Carol Firmino
A Copa do Mundo costuma mobilizar milhões de pessoas dentro e fora dos estádios. No Brasil, onde o futebol faz parte da cultura popular, o torneio também costuma chegar às escolas por meio de conversas entre os estudantes, brincadeiras e transmissões dos jogos. Mas, para além da torcida, o evento pode se transformar em uma oportunidade de aprendizagem quando é incorporado ao planejamento com intencionalidade pedagógica.
A edição de 2026 traz novidades que ajudam nesse processo. Pela primeira vez, a competição será realizada em três países simultaneamente — Estados Unidos, Canadá e México — e também contará com 48 seleções, o maior número da história do torneio.
Além disso, elementos como os mascotes oficiais, as estatísticas do campeonato e até a pressão vivida pelos atletas em momentos decisivos podem servir como ponto de partida para discussões e atividades em diferentes áreas do conhecimento.
A seguir, reunimos sugestões de como transformar algumas curiosidades da Copa do Mundo de 2026 em propostas de aprendizagem para os Anos Iniciais e para os Anos Finais do Ensino Fundamental.
Geografia: três países, um só Mundial
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira realizada simultaneamente em três países: Estados Unidos, Canadá e México. A novidade abre espaço para explorar conteúdos de Geografia relacionados à localização, território, paisagens, culturas, população e circulação de pessoas. Também permite discutir como um evento global mobiliza diferentes regiões e conecta países com características distintas.
Jogo de tabuleiro para os Anos Iniciais
Talitha Cannever Alvares, professora de Geografia da rede pública de Bauru (SP), indica uma atividade para turmas do 5.º ano. Ela propõe um jogo de tabuleiro que tem como inspiração a Copa do Mundo de 2026.
Organizados em grupos, os estudantes percorrem uma trilha até a final do torneio respondendo perguntas sobre os três países-sede.
Ao longo da partida, precisam localizar, por exemplo, os países em mapas, identificar capitais, idiomas, aspectos climáticos, características territoriais e curiosidades culturais, além de lidar com desafios e casas especiais do tabuleiro, como ganhe ou perca pontos.
Objetivos de aprendizagem:
Localizar e identificar os países-sede da Copa do Mundo de 2026 em mapas, reconhecendo aspectos geográficos, culturais e econômicos de Canadá, Estados Unidos e México;
Desenvolver habilidades de leitura cartográfica, orientação espacial e análise de diferentes territórios.
Investigação para os Anos Finais
Filipe Bellinaso e Bruno Moraes da Silva, professores de Geografia nas redes pública e privada de Birigui (SP), sugerem que os estudantes sejam divididos em três grupos, cada um responsável por pesquisar e apresentar um dos países-sede da Copa de 2026.
A investigação contempla aspectos geográficos, culturais, econômicos, demográficos e esportivos, que depois são organizados em materiais visuais e compartilhados com a turma. Como produto final, a classe pode construir um painel coletivo sobre o evento.
Objetivos de aprendizagem:
Localizar geograficamente os países-sede da Copa do Mundo de 2026;
Identificar características físicas e humanas dos territórios estudados;
Comparar aspectos econômicos, culturais e demográficos entre Estados Unidos, Canadá e México;
Compreender a importância dos grandes eventos esportivos para a integração internacional;
Desenvolver habilidades de pesquisa, síntese e comunicação oral;
Utilizar recursos visuais para apoiar apresentações;
Trabalhar colaborativamente na organização e socialização de informações.
Mascotes e a biodiversidade em Ciências
Os mascotes oficiais da Copa de 2026 representam animais típicos dos países-sede: uma águia-careca (Estados Unidos), um alce (Canadá) e um jaguar (México). A escolha permite explorar temas como biodiversidade, habitats, cadeias alimentares, adaptação dos seres vivos e conservação ambiental, conectando o torneio a discussões sobre a natureza.
Comparando e criando um mascote nos Anos Iniciais
A professora Cíntia Diógenes, que dá aulas de Ciências nas redes pública e privada de Fortaleza (CE), sugere começar apresentando os mascotes da Copa de 2026 e iniciando uma discussão sobre os critérios que tornam um animal representativo de um país.
Em seguida, ela propõe que os estudantes recebam a missão de criar um mascote para uma futura Copa realizada no Brasil. Em grupos, pesquisam espécies da fauna brasileira, investigando aspectos como habitat, papel ecológico, estado de conservação e relação com os diferentes biomas.
Depois do levantamento, eles desenvolvem a identidade do personagem, definindo nome, características, valores e mensagens que ele poderia transmitir ao público. A atividade culmina com a apresentação das propostas à turma e a defesa das escolhas realizadas, estimulando a argumentação, o protagonismo estudantil e a reflexão sobre a biodiversidade brasileira e a importância de sua preservação.
Objetivos de aprendizagem:
Relacionar a diversidade da fauna brasileira com os diferentes biomas;
Reconhecer a importância dos animais para o equilíbrio dos ecossistemas;
Criar uma apresentação que informe a resolução de um problema;
Utilizar argumentos embasados para convencer o público.
Pesquisa sobre biodiversidade nos Anos Finais
Jarbas Carracioli Ribeiro, professor de Ciências da rede pública de Barueri (SP), traz a ideia de utilizar os mascotes da Copa de 2026 — a águia-careca, o alce e o jaguar — como ponto de partida para investigar biodiversidade, habitats e ecossistemas.
Após uma discussão inicial sobre os animais e os ambientes em que vivem, os estudantes pesquisam características das espécies, como alimentação, adaptações e importância ecológica, relacionando-as às condições climáticas e geográficas dos países-sede.
Os resultados podem ser apresentados em cartazes, slides ou vídeos, favorecendo o trabalho interdisciplinar e a reflexão sobre a conservação da biodiversidade e as relações entre os seres vivos e o ambiente.
Objetivos de aprendizagem
Compreender o conceito de biodiversidade;
Identificar diferentes habitats e ecossistemas;
Relacionar características dos animais aos ambientes onde vivem;
Reconhecer a importância da conservação ambiental;
Entender como os seres vivos dependem dos fatores bióticos e abióticos para sobreviver.
O que um pênalti perdido pode ensinar?
Grandes nomes da história do futebol, como Zico, Maradona, Baggio e Messi, já desperdiçaram pênaltis decisivos em Copas do Mundo. Esses momentos mostram que o erro faz parte do processo e podem abrir espaço para reflexões sobre frustração, persistência, autoconfiança, trabalho em equipe e aprendizagem socioemocional.
A professora Andrea Militão, coordenadora do Programa V.I.D.A da rede municipal de Londrina, sugere uma atividade nesse contexto:
“Esses jogadores deixaram de ser grandes atletas porque erraram?” Essa é a pergunta que abre o diálogo com estudantes do 4.º e 5.º ano. A partir de histórias de jogadores como Zico, Roberto Baggio, Maradona e Messi, a turma é convidada a refletir sobre situações em que mesmo atletas consagrados enfrentaram derrotas e frustrações em momentos decisivos.
Em seguida, os estudantes participam de um círculo de diálogo para compartilhar experiências, sentimentos e percepções sobre erros, perdas e desafios. A reflexão continua com a atividade “Meu Pênalti Perdido”, na qual cada aluno registra uma situação em que algo não saiu como esperava, descreve as emoções envolvidas, identifica os aprendizados obtidos e pensa em estratégias para agir de forma diferente no futuro. O encerramento retoma a trajetória de superação de grandes jogadores e reforça a ideia de que erros, fracassos e decepções fazem parte do processo de aprendizagem, mas não determinam o futuro de ninguém.
A proposta dialoga com as competências gerais da BNCC relacionadas ao autoconhecimento, ao autocuidado e à empatia.
Objetivos de aprendizagem
Compreender que errar faz parte do processo de aprendizagem;
Identificar emoções relacionadas à frustração, tristeza, vergonha e decepção;
Desenvolver estratégias para lidar com situações frustrantes;
Reconhecer a importância da persistência e da autoconfiança;
Valorizar o esforço e não apenas o resultado final.
Desafios matemáticos e o álbum da Copa
Com a ampliação do torneio de 32 para 48 seleções, o tradicional álbum da Copa também ganhou mais páginas e mais figurinhas. Esse universo, que já faz parte da rotina de muitas crianças, pode ser explorado para desenvolver conceitos como contagem, operações, porcentagem, probabilidade, organização de dados e resolução de problemas.
Situações-problema com o álbum nos Anos Iniciais
Selene Coletti, professora de Matemática e diretora da EMEB Professora Angela Lygia, em Itatiba (SP), afirma que se todos ou a grande maioria dos alunos tiver o álbum, é possível proporcionar às crianças situações-problema envolvendo as figurinhas. Uma possibilidade é abordar o total de figurinhas por país, trabalhando a ideia de multiplicação e de adição de parcelas iguais.
Outra é comparar a quantidade de figurinhas que o aluno possui versus a quantidade que falta para completar uma página ou o álbum inteiro, envolvendo, assim, as ideias de subtração: tirar, completar, “a mais que”, “a menos que”.
As propostas favorecem o desenvolvimento de habilidades matemáticas relacionadas à resolução de problemas, ao sistema de numeração decimal e ao desenvolvimento do cálculo mental e escrito, previstas na BNCC.
Por se tratar de um contexto próximo ao universo infantil, o álbum de figurinhas torna a aprendizagem mais significativa, favorecendo o engajamento dos alunos e a construção de conceitos matemáticos de maneira contextualizada.
Objetivos de aprendizagem:
Compreender os diferentes sentidos da subtração em situações reais;
Desenvolver estratégias pessoais de resolução de problemas;
Ampliar o cálculo mental;
Utilizar o quadro numérico para observar regularidades;
Avançar na compreensão do sistema de numeração decimal;
Discutir diferentes formas de resolução, argumentando e validando procedimentos.
Estratégias e diferentes formas de cálculo nos Anos Finais
A proposta do professor Marcio Klinger, das redes pública e privada de Andradina (SP), consiste em utilizar informações sobre a quantidade de seleções, páginas e figurinhas para trabalhar estratégias de multiplicação com números naturais, explorando diferentes formas de cálculo, como algoritmos, cálculo mental, estimativas e calculadora.
A partir desses resultados, a turma pode comparar procedimentos e resolver novos desafios envolvendo as quatro operações fundamentais.
Ao partir de um elemento presente no universo da Copa e familiar aos estudantes, a atividade contribui para tornar os conceitos matemáticos mais concretos e significativos, favorecendo a resolução de problemas e o desenvolvimento do raciocínio lógico.
Objetivos de aprendizagem:
Resolver problemas envolvendo multiplicação com números naturais;
Aplicar diferentes ideias associadas à multiplicação, como adição de parcelas iguais e formação retangular;
Utilizar diferentes estratégias de cálculo, incluindo algoritmos, cálculo mental, estimativas e calculadora;
Resolver situações-problema envolvendo as quatro operações fundamentais com números naturais.
Por: Nova Escola